Crônica do dia
Foi em Ipanema que fui à praia com Leila Diniz e sua barriga, Sonia Braga e seu cabelão, Fernando Gabeira e sua sunga de crochê, Wally Salomão e seu batom vermelho e casaco de oncinha, Petit e seu dragão tatuado no braço, fui ao Teatro Ipanema ver todas as noites "Hoje é dia de rock", com Evandro Mesquita e a galera, onde beijei na boca de outra mulher com Wally incentivando, foi onde meu filho Daniel dormiu na areia com as pranchas de Rico, Bocão e cia fazendo sombra, onde meu namorado na época levava um colchonete pro telhado do prédio pra gente namorar e olhar as estrelas, onde Maria Inês, mãe de Jonas Torres, nosso eterno Bacana (de Armação Ilimitada)e eu empurrávamos nossos carrinhos com nossos bebês lindos, onde a polícia dava "dura" na gente, só porque éramos cabeludos e diferentes, onde jantei no Pizzaiolo com Gal Costa, onde bebi cerveja na mesma latinha com Paulinho da Viola na Banda de Ipanema, onde ia tomar café com leite de tarde na casa de Abel Silva, nosso querido poeta. Em Ipanema, peguei onda de peito (jacaré), joguei altinho (bem!), andei de bicicleta com meu compadre João Mafalda, comprei calça com boca de sino de carne seca (era o nome do tecido) na Hippie Center, comi no Bob's, fui à Feira Hippie comprar sandália de sola de pneu e bolsa de couro, foi onde íamos curtir todas as noites, gente, Ipanema era um barato nos anos 70!Por isso tudo vamos comemorar no dia 16!E desculpe mas eu vou chorar, como diz a letra da canção!
Leila Oli - RJ - 12/03/12
quarta-feira, 14 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
Crônica do dia
Vou de bike pra Copacabana, preciso fazer compras. Deixo minha mãe aos cuidados de meu filho Codé, subo o Corte do Cantagalo devagar e pedalo pela ciclovia da Xavier da Silveira. Desço pela Leopoldo Miguez até a Barão de Ipanema e chego à agência do Banco do Brasil. Tem um vendedor de côco bem na esquina, com seu carrinho encostado à parede daquele prédio que já foi a Confeitaria Colombo, um luxo que poucos se lembram (ou não) e onde se comia a melhor coxinha de galinha do mundo, com um ossinho dentro que a gente segurava com o guardanapo. Atravessando a rua, uma moça muito bem vestida com aquele uniforme de aeromoça, saia azul marinho pelos joelhos, meias finas, blusa branca, sapato alto e o casaquinho da mesma cor da saia. Na cabeça, aquele chapeuzinho com o broche da cia aérea. Puxa uma mala de rodinhas pela calçada e caminha como se caminhava há muitos anos atrás. Como se eu desse uma cambalhota, o tempo volta e estou nos anos 60, quando o sonho de muitas meninas era um dia vir a ser aeromoça e usar aquele uniforme. O vendedor de côco não resiste e comenta sobre a moça, ele tinha visto ao mesmo tempo que eu. Ela entra no banco e ficamos ele e eu olhando pelo vidro como uma visão do passado. Ele sorri embevecido, é uma linda visão, não que ela fosse exatamente linda, mas a sua elegância, seu porte, seu andar, deixa o vendedor de côcos e eu parados no tempo numa Copacabana que nunca mais vai voltar.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Veludo
Então ela olhou para cima. Os fungos estavam no teto do corredor e ela achou que eram interessantes, mas ameaçadores. Criaturas vivas, de forma arredondada que iam rapidamente se transformando em coisas peludas, azuis, com uma espécie de franja que pendiam em direção ao chão. Ela falou com seu seu pai que estava com medo. Ele calmamente explicou que os fungos estavam se reproduzindo e que haviam se formado por causa da umidade que entrava pelo bocal da lampada. A umidade, o calor e a escuridão favoreceram essa criação. Ela estava ficando apavorada. Mas se encheu de coragem e resolveu que ia retirar todos aqueles bichos peludos do teto de sua casa.
A criança não parava, andava pela casa procurando coisas para mexer e a deixava tonta e mais nervosa ainda. Otavio estava deitado, havia se sentido mal e Layla o convenceu que devia se deitar um pouco, nesse momento era o melhor a fazer. Ele era o novo marido de sua mãe e Layla admirava o trabalho dele como ator. Valeria chegou e se encarregou de distrair a menina, que agora corria em volta da estante de vidro que ameaçava cair e causar um estrago. Valeria saiu com a menina e Layla se acalmou. Resolveu que precisava de uma espátula, dessas que os pedreiros usam, para retirar as criaturas franjadas e estranhas que haviam invadido o teto de sua casa e não paravam de crescer. Subiu para o terraço, onde o fogão à lenha nunca era apagado e começou a procurar nas fendas das paredes, que faziam as vezes de estantes e armários. Era ali que os homens guardavam seus materiais de trabalho. Só encontrava facões e pedaços de madeira. Nada de espátula. Olhou para a rua lá embaixo, o trânsito era alucinante, carros em todas as direções, alguns sendo empurrados por homens fortes e morenos como todos da região. Ela se lembrou do trânsito de Calcutá. Layla estava tão distraída que nem percebeu que Marcio havia chegado. Ele a abraçou e se sentaram no banco, um de frente pro outro, pernas entrelaçadas e começaram a se beijar sem se importar com as pessoas em volta, afinal todos já estavam acostumados com esse amor intenso e abusado deles. Layla falou para descerem, para o quarto, mas então se lembrou do motivo de estar ali. Precisava de um instrumento para retirar as criaturas do teto do corredor.
Manoel apareceu animado e falante, querendo contar uma piada. Mas Layla não estava a fim de escutar piadas. Tinha uma tarefa a fazer e ia. Marcio percebeu que ela estava nervosa e agitada e quis saber o motivo. Riu quando ela contou e disse que ela estava nervosa à toa, aquilo era fácil de resolver e ela então sorriu e pensou em como amava aquele homem. Tinham se conhecido há muito tempo, ele era lindo, com os cabelos compridos até os ombros, olhos castanhos e um sorriso lindo. Se apaixonou por ele assim do nada, à primeira vista, só pelo sorriso aberto, aquela boca de promessa de felicidade. Quando Layla perguntava quando ele se apaixonou por ela e porque, ele sorria e dizia que não sabia responder, não tinha certeza. Tinha a sensação que havia sido na noite em que sairam para beber e ela mostrou a perna pedindo para ele sentir como a pele dela era macia e ele teria dito que parecia um veludo!Então, desde dia não mais se separaram e viviam intensamente esse amor. Ele morava numa colina, numa casinha pequena e rústica, bem humilde, mas isso não tinha a menor importância. Só o que interessava a ela era o seu corpo bem feito, seus ombros largos e suas pernas bem torneadas, com panturrilhas musculosas. Era um homem perfeito e isso bastava. Ela subia a colina feliz, excitada só em pensar o que iam fazer assim que ela entrasse pela porta. Seus beijos eram os melhores, mais doces e quentes que ela já havia experimentado, suas mãos grandes e bem feitas percorriam sua pele com ternura e ela ficava arrepiada e se sentia amada e desejada como todas as mulheres gostariam de se sentir!Marcio era rústico, quase rude, sem estudo, mas era o melhor amante, o mais doce que ela já tivera. Tocava de ouvido como se diz, puro instinto ou intuição.
Desceram juntos então para a casa, para o corredor onde estavam os fungos ameaçadores e Marcio rapidamente se livrou das criaturas com suas ferramentas. Colocou aquelas coisas, como Layla dizia, em sacos pretos de lixo e passou querosene no teto para que não mais se criasse qualquer espécie de fungo ou coisa parecida. Consertou também a abertura do bocal da lâmpada, colocou uma nova no lugar da queimada e desceu da escada, guardando as ferramentas numa caixa. Layla olhava para ele extasiada, aquele homem tão bonito, tão sedutor, capaz de fazer esse trabalho tão facilmente, um trabalho que para ela parecia tão perigoso e difícil!
Layla então o beijou, deram as mãos, e foram olhar a casa. Otavio estava melhor, se sentindo recuperado, a menina dormia, Valeria cochilava na cadeira de balanço perto da janela. Seu pai sorriu para ela e a vida voltou ao normal.
(Um sonho de Leila Oli - dezembro de 2010)
A criança não parava, andava pela casa procurando coisas para mexer e a deixava tonta e mais nervosa ainda. Otavio estava deitado, havia se sentido mal e Layla o convenceu que devia se deitar um pouco, nesse momento era o melhor a fazer. Ele era o novo marido de sua mãe e Layla admirava o trabalho dele como ator. Valeria chegou e se encarregou de distrair a menina, que agora corria em volta da estante de vidro que ameaçava cair e causar um estrago. Valeria saiu com a menina e Layla se acalmou. Resolveu que precisava de uma espátula, dessas que os pedreiros usam, para retirar as criaturas franjadas e estranhas que haviam invadido o teto de sua casa e não paravam de crescer. Subiu para o terraço, onde o fogão à lenha nunca era apagado e começou a procurar nas fendas das paredes, que faziam as vezes de estantes e armários. Era ali que os homens guardavam seus materiais de trabalho. Só encontrava facões e pedaços de madeira. Nada de espátula. Olhou para a rua lá embaixo, o trânsito era alucinante, carros em todas as direções, alguns sendo empurrados por homens fortes e morenos como todos da região. Ela se lembrou do trânsito de Calcutá. Layla estava tão distraída que nem percebeu que Marcio havia chegado. Ele a abraçou e se sentaram no banco, um de frente pro outro, pernas entrelaçadas e começaram a se beijar sem se importar com as pessoas em volta, afinal todos já estavam acostumados com esse amor intenso e abusado deles. Layla falou para descerem, para o quarto, mas então se lembrou do motivo de estar ali. Precisava de um instrumento para retirar as criaturas do teto do corredor.
Manoel apareceu animado e falante, querendo contar uma piada. Mas Layla não estava a fim de escutar piadas. Tinha uma tarefa a fazer e ia. Marcio percebeu que ela estava nervosa e agitada e quis saber o motivo. Riu quando ela contou e disse que ela estava nervosa à toa, aquilo era fácil de resolver e ela então sorriu e pensou em como amava aquele homem. Tinham se conhecido há muito tempo, ele era lindo, com os cabelos compridos até os ombros, olhos castanhos e um sorriso lindo. Se apaixonou por ele assim do nada, à primeira vista, só pelo sorriso aberto, aquela boca de promessa de felicidade. Quando Layla perguntava quando ele se apaixonou por ela e porque, ele sorria e dizia que não sabia responder, não tinha certeza. Tinha a sensação que havia sido na noite em que sairam para beber e ela mostrou a perna pedindo para ele sentir como a pele dela era macia e ele teria dito que parecia um veludo!Então, desde dia não mais se separaram e viviam intensamente esse amor. Ele morava numa colina, numa casinha pequena e rústica, bem humilde, mas isso não tinha a menor importância. Só o que interessava a ela era o seu corpo bem feito, seus ombros largos e suas pernas bem torneadas, com panturrilhas musculosas. Era um homem perfeito e isso bastava. Ela subia a colina feliz, excitada só em pensar o que iam fazer assim que ela entrasse pela porta. Seus beijos eram os melhores, mais doces e quentes que ela já havia experimentado, suas mãos grandes e bem feitas percorriam sua pele com ternura e ela ficava arrepiada e se sentia amada e desejada como todas as mulheres gostariam de se sentir!Marcio era rústico, quase rude, sem estudo, mas era o melhor amante, o mais doce que ela já tivera. Tocava de ouvido como se diz, puro instinto ou intuição.
Desceram juntos então para a casa, para o corredor onde estavam os fungos ameaçadores e Marcio rapidamente se livrou das criaturas com suas ferramentas. Colocou aquelas coisas, como Layla dizia, em sacos pretos de lixo e passou querosene no teto para que não mais se criasse qualquer espécie de fungo ou coisa parecida. Consertou também a abertura do bocal da lâmpada, colocou uma nova no lugar da queimada e desceu da escada, guardando as ferramentas numa caixa. Layla olhava para ele extasiada, aquele homem tão bonito, tão sedutor, capaz de fazer esse trabalho tão facilmente, um trabalho que para ela parecia tão perigoso e difícil!
Layla então o beijou, deram as mãos, e foram olhar a casa. Otavio estava melhor, se sentindo recuperado, a menina dormia, Valeria cochilava na cadeira de balanço perto da janela. Seu pai sorriu para ela e a vida voltou ao normal.
(Um sonho de Leila Oli - dezembro de 2010)
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Meu pai
Quando eu era criança, costumava brincar nos corredores do Castelo Mourisco, na FIOCRUZ, ou simplesmente Manguinhos, como se chamava na época. Isso acontecia nos sábados de manhã, naquela época os pesquisadores trabalhavam meio período aos sábados. Entrava nas salas, mexia nos papéis, abria gavetas e os tubinhos de vidro com rolhas eram os meus brinquedos favoritos. Claro que sempre tinha alguém supervisionando essas travessuras, não se podia mexer em nada sem autorização! Gostava muito daquelas fichas brancas, pequenas, cheias de linhas e os blocos de notas também me atraíam muito.
- Se não tiver nada escrito, pode pegar, dizia meu pai.
E assim fui crescendo, cercada de livros, blocos, fichas e tubinhos de vidro. E, claro, tinha também os amigos de meu pai e era um capítulo à parte. Havia um que levava uma valise e quando chegava, atraía a vizinhança. Quando a valise era aberta, saíam cobras de dentro dela, que subiam nos móveis e andavam pela sala com a maior naturalidade!Imaginem isso na cabeça de uma criança!
Mas lá em casa era normal. Havia também o amigo que tirava retratos, as fotografias da família, das crianças e no sábado era o dia do barbeiro que vendia jóias, vocês podem imaginar como a casa era animada! Eu poderia ficar aqui falando sobre a minha infância o resto do dia sem cansar vocês, tantas são as histórias interessantes!
- Se não tiver nada escrito, pode pegar, dizia meu pai.
E assim fui crescendo, cercada de livros, blocos, fichas e tubinhos de vidro. E, claro, tinha também os amigos de meu pai e era um capítulo à parte. Havia um que levava uma valise e quando chegava, atraía a vizinhança. Quando a valise era aberta, saíam cobras de dentro dela, que subiam nos móveis e andavam pela sala com a maior naturalidade!Imaginem isso na cabeça de uma criança!
Mas lá em casa era normal. Havia também o amigo que tirava retratos, as fotografias da família, das crianças e no sábado era o dia do barbeiro que vendia jóias, vocês podem imaginar como a casa era animada! Eu poderia ficar aqui falando sobre a minha infância o resto do dia sem cansar vocês, tantas são as histórias interessantes!
Práticas de leitura 2
A aprendizagem da leitura não se refere apenas à aquisição de códigos gráficos, mas a capacidade de elaborar e utilizar a linguagem escrita. A leitura envolve raciocínio, interpretação e compreensão ativa do leitor, aspectos que superam a mera decifração mecânica grafema-fonema. Envolve também aspectos cognitivos, lingüísticos, perceptivos que interagem; é uma tarefa de estratégica que exige atenção e seleção. A leitura tem como pré-requisito o desenvolvimento da consciência fonológica, o desenvolvimento de representações lexicais, uma memória semântica rica (bom número de significados), memória operativa (manter ativo na memória alguns elementos com significado) e esquemas de conhecimento prévio.
Práticas de leitura
A prática de contar histórias vem de muito tempo, sempre se contou histórias para crianças antes de dormir, nos acampamentos, em noites de chuva, nas creches e salas de aula. O conceito de leitura está ligado a várias formas de ver o mundo. Desde crianças começamos a ler rosto de nossas mães e, rapidamente aprendemos a ler quando elas estão bravas, tristes, preocupadas ou nervosas e com o tempo, aprendemos a ler também símbolos e marcas registradas, na medida em que nos são apresentadas várias formas de leitura, como revistas em quadrinhos, jornais, receitas, manuais, instruções de jogos, etc. Acreditamos que o ato de ler não está relacionado somente à capacidade de reconhecer palavras e decodificar determinados caracteres, mas também se relaciona à capacidade de atribuir sentido àquilo que se lê. Assim, promover a leitura é poder compartilhar com o outro não somente os aspectos do gosto pela leitura, mas também agir de maneira ativa no desenvolvimento dos aspectos cognitivos que se relacionam ao conhecimento, possibilitando o desenvolvimento da capacidade de análise e crítica.
domingo, 18 de abril de 2010
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