segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Achados e perdidos

Rio, 20 de janeiro, sexta-feira, feriado de São Sebastião, padroeiro da cidade maravilhosa. Praia novamente! Me dou conta que estou indo à praia todos os dias, encontrando as mesmas amigas, gente muito boa, mulheres da minha idade mais ou menos, coisa rara. Ficamos ali, na sombra das barracas, como uma grande tenda, jogando conversa fora e observando o movimento de vendedores ambulantes, conversando com todos e sabendo dos acontecimentos da praia. Um desses ambulantes é diferente, passa todos os dias com uma caixa de isopor velha, presa com um elástico, colada com fita adesiva e ele anda com um par de óculos escuros, oferecendo a todo mundo com um papo que achou e quer vender. Cada dia é um par diferente, bonito, de marca. A nossa curiosidade é grande, será que ele tem outros óculos dentro da caixa? Na verdade, queremos saber o que ele carrega naquela caixa. Pode ser mais óculos, mas ele diz que achou, ninguém acha tantos óculos assim. Outro dia eu achei um par, mas não era de marca, era aqueles simples, inclusive sentei nele e ficou torto! Mas a nossa curiosidade foi sendo aguçada pelo comportamento do ambulante misterioso. Ele chega perto das pessoas, fala baixinho, oferece com jeito, conta uma historinha, ficamos sabendo de pessoas que já compraram com ele. O rapaz da barraca diz que ele rouba os óculos, mas não queremos saber. Só nos interessa saber o que ele traz na caixa de isopor.
Sexta-feira, lá vem ele...com a caixa de isopor. Quando vai passando perto de nós, não resistimos e chamamos. Chega todo sorrisos! Sem dar tempo pra ele pensar, perguntamos: - O que você traz aí na caixa? Ele calmamente tira o elástico, abre a caixa lentamente, e finalmente acaba o mistério: lá no fundo da caixa, um pé ao lado do outro, um par de sandálias havaianas cor-de-rosa! Eu aplaudi com entusiasmo, ele ficou meio sem graça e depois de fechar a caixa, seguiu seu caminho nas areias de Ipanema em direção ao Arpoador...quem sabe hoje ele vende os óculos?

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