segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Boa vizinhança

Então aquela que um dia seria conhecida como Sereia pensou que nunca mais teria um homem a seu lado, que morrera para o sexo, tinha ficado muito tempo casada, e havia perdido o jeito de paquerar, flertar, ninguém mais olharia para ela, nem a desejaria. Estava assexuada. Ia a vários lugares, saía à noite e nada acontecia. Os amigos apresentavam amigos e nenhum se interessava. Uma noite estava numa festa com as amigas e um rapaz chamou sua atenção. Na verdade chamou a atenção de sua melhor amiga, que comentou ser o mesmo que já haviam visto no samba e também no seu próprio prédio, há poucos dias.
- No meu prédio? – disse a Sereia.
Então ela vislumbrou uma boa oportunidade de testar sua capacidade de sedução adormecida por dois longos anos. Como ele estava se aproximando com um casal e parou bem na sua frente, ela se encheu de coragem e falou:
- Acho que somos vizinhos – O rapaz olhou para ela surpreso e depois de confirmar, sim eram vizinhos, disse sorrindo que já sabia onde pedir uma xícara de açúcar quando precisasse.
Pronto, ela conseguira fazer contato, nem foi tão difícil assim. A partir dessa noite, começaram a se encontrar casualmente, no elevador, na portaria, ele chegando, ela saindo e sempre aquele clima cordial e simpático de ambas as partes. Ela começou a convidá-lo para ir a festas, shows e ele nunca podia, pois trabalhava até tarde num jornal. Mas falou que segunda-feira era o dia mais livre, chegava mais cedo e quando tivesse algum evento numa segunda, com certeza ele iria. Apareceu a oportunidade e ela mais que depressa pegou um convite, fez um bilhetinho e colocou embaixo da porta dele, torcendo para que ele aparecesse.
E ele apareceu!Chegou por volta da meia noite, perfumado, bonitão, gentil, claro que tinha passado em casa e se arrumado. Ela adorou, agradeceu a presença, afinal era show da banda do filho dela e ficaram ali juntinhos assistindo. Os amigos dela sabendo de tudo, se afastaram e deixaram os dois a sós. Terminado o show, ela perguntou se ele ia para casa e pediu carona. Entraram no carro, ela meio sem graça, afinal estava fora de forma nestas questões amorosas e sexuais, precisava de um tempinho para se acostumar a ficar com um homem novamente. Esse tempinho foi o caminho até em casa. Aliás, a casa dele, e ela até hoje ela não se lembra como foi parar no apartamento dele. Só se lembra de estarem no elevador se beijando e já dentro da sala da casa dele. Foi uma noite e tanto!
No dia seguinte foi trabalhar morta de cansaço, mas lembrando dos melhores momentos, ele dando pedacinhos de mamão na boca enquanto ela tomava banho, conversando sobre casamento, filhos, trabalho e mil outras coisas. Com certeza ele seria um homem por quem ela se apaixonaria.
De vez em quando ainda pecam.

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