quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Meu pai

Quando eu era criança, costumava brincar nos corredores do Castelo Mourisco, na FIOCRUZ, ou simplesmente Manguinhos, como se chamava na época. Isso acontecia nos sábados de manhã, naquela época os pesquisadores trabalhavam meio período aos sábados. Entrava nas salas, mexia nos papéis, abria gavetas e os tubinhos de vidro com rolhas eram os meus brinquedos favoritos. Claro que sempre tinha alguém supervisionando essas travessuras, não se podia mexer em nada sem autorização! Gostava muito daquelas fichas brancas, pequenas, cheias de linhas e os blocos de notas também me atraíam muito.
- Se não tiver nada escrito, pode pegar, dizia meu pai.
E assim fui crescendo, cercada de livros, blocos, fichas e tubinhos de vidro. E, claro, tinha também os amigos de meu pai e era um capítulo à parte. Havia um que levava uma valise e quando chegava, atraía a vizinhança. Quando a valise era aberta, saíam cobras de dentro dela, que subiam nos móveis e andavam pela sala com a maior naturalidade!Imaginem isso na cabeça de uma criança!
Mas lá em casa era normal. Havia também o amigo que tirava retratos, as fotografias da família, das crianças e no sábado era o dia do barbeiro que vendia jóias, vocês podem imaginar como a casa era animada! Eu poderia ficar aqui falando sobre a minha infância o resto do dia sem cansar vocês, tantas são as histórias interessantes!

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