quarta-feira, 14 de março de 2012

Ipanema

Crônica do dia
Foi em Ipanema que fui à praia com Leila Diniz e sua barriga, Sonia Braga e seu cabelão, Fernando Gabeira e sua sunga de crochê, Wally Salomão e seu batom vermelho e casaco de oncinha, Petit e seu dragão tatuado no braço, fui ao Teatro Ipanema ver todas as noites "Hoje é dia de rock", com Evandro Mesquita e a galera, onde beijei na boca de outra mulher com Wally incentivando, foi onde meu filho Daniel dormiu na areia com as pranchas de Rico, Bocão e cia fazendo sombra, onde meu namorado na época levava um colchonete pro telhado do prédio pra gente namorar e olhar as estrelas, onde Maria Inês, mãe de Jonas Torres, nosso eterno Bacana (de Armação Ilimitada)e eu empurrávamos nossos carrinhos com nossos bebês lindos, onde a polícia dava "dura" na gente, só porque éramos cabeludos e diferentes, onde jantei no Pizzaiolo com Gal Costa, onde bebi cerveja na mesma latinha com Paulinho da Viola na Banda de Ipanema, onde ia tomar café com leite de tarde na casa de Abel Silva, nosso querido poeta. Em Ipanema, peguei onda de peito (jacaré), joguei altinho (bem!), andei de bicicleta com meu compadre João Mafalda, comprei calça com boca de sino de carne seca (era o nome do tecido) na Hippie Center, comi no Bob's, fui à Feira Hippie comprar sandália de sola de pneu e bolsa de couro, foi onde íamos curtir todas as noites, gente, Ipanema era um barato nos anos 70!Por isso tudo vamos comemorar no dia 16!E desculpe mas eu vou chorar, como diz a letra da canção!

Leila Oli - RJ - 12/03/12

sábado, 3 de março de 2012

Crônica do dia

Vou de bike pra Copacabana, preciso fazer compras. Deixo minha mãe aos cuidados de meu filho Codé, subo o Corte do Cantagalo devagar e pedalo pela ciclovia da Xavier da Silveira. Desço pela Leopoldo Miguez até a Barão de Ipanema e chego à agência do Banco do Brasil. Tem um vendedor de côco bem na esquina, com seu carrinho encostado à parede daquele prédio que já foi a Confeitaria Colombo, um luxo que poucos se lembram (ou não) e onde se comia a melhor coxinha de galinha do mundo, com um ossinho dentro que a gente segurava com o guardanapo. Atravessando a rua, uma moça muito bem vestida com aquele uniforme de aeromoça, saia azul marinho pelos joelhos, meias finas, blusa branca, sapato alto e o casaquinho da mesma cor da saia. Na cabeça, aquele chapeuzinho com o broche da cia aérea. Puxa uma mala de rodinhas pela calçada e caminha como se caminhava há muitos anos atrás. Como se eu desse uma cambalhota, o tempo volta e estou nos anos 60, quando o sonho de muitas meninas era um dia vir a ser aeromoça e usar aquele uniforme. O vendedor de côco não resiste e comenta sobre a moça, ele tinha visto ao mesmo tempo que eu. Ela entra no banco e ficamos ele e eu olhando pelo vidro como uma visão do passado. Ele sorri embevecido, é uma linda visão, não que ela fosse exatamente linda, mas a sua elegância, seu porte, seu andar, deixa o vendedor de côcos e eu parados no tempo numa Copacabana que nunca mais vai voltar.