sábado, 3 de março de 2012

Crônica do dia

Vou de bike pra Copacabana, preciso fazer compras. Deixo minha mãe aos cuidados de meu filho Codé, subo o Corte do Cantagalo devagar e pedalo pela ciclovia da Xavier da Silveira. Desço pela Leopoldo Miguez até a Barão de Ipanema e chego à agência do Banco do Brasil. Tem um vendedor de côco bem na esquina, com seu carrinho encostado à parede daquele prédio que já foi a Confeitaria Colombo, um luxo que poucos se lembram (ou não) e onde se comia a melhor coxinha de galinha do mundo, com um ossinho dentro que a gente segurava com o guardanapo. Atravessando a rua, uma moça muito bem vestida com aquele uniforme de aeromoça, saia azul marinho pelos joelhos, meias finas, blusa branca, sapato alto e o casaquinho da mesma cor da saia. Na cabeça, aquele chapeuzinho com o broche da cia aérea. Puxa uma mala de rodinhas pela calçada e caminha como se caminhava há muitos anos atrás. Como se eu desse uma cambalhota, o tempo volta e estou nos anos 60, quando o sonho de muitas meninas era um dia vir a ser aeromoça e usar aquele uniforme. O vendedor de côco não resiste e comenta sobre a moça, ele tinha visto ao mesmo tempo que eu. Ela entra no banco e ficamos ele e eu olhando pelo vidro como uma visão do passado. Ele sorri embevecido, é uma linda visão, não que ela fosse exatamente linda, mas a sua elegância, seu porte, seu andar, deixa o vendedor de côcos e eu parados no tempo numa Copacabana que nunca mais vai voltar.

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